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FGTS é insuficiente para crescimento da carteira de crédito

Fonte: Jornal do Commercio

Os recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não serão suficientes para assegurar o crescimento anual necessário para que a carteira de crédito imobiliário do Brasil possibilite que a relação entre esse indicador e o Produto Interno Bruto (PIB) alcance a do Chile ou do México em 2015, conforme o vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Hereda.

Atualmente, o crédito imobiliário no País corresponde a 2,7% do PIB, enquanto no Chile, o indicador chega a 41% e, no México, a 10%. Para se aproximar desses patamares, a carteira de crédito imobiliário do Brasil precisaria crescer 41% por ano até 2015 nos cálculos de Hereda. “No próximo ano, os financiamentos com recursos da poupança poderão chegar a R$ 40 bilhões, e há mais R$ 30 bilhões do FGTS. Esse patamar não é suficiente para manter o crescimento necessário até 2015″, disse o vice-presidente da Caixa.

Uma das saídas para a ampliação do funding para o crédito imobiliário, na avaliação de Hereda, seria a mudança nas regras para a securitização de recursos. A Caixa possui carteira de financiamento imobiliário da ordem de R$ 60 milhões. Desse total, o banco poderia securitizar R$ 20 milhões, liberando valor semelhante para o financiamento imobiliário, segundo o representante da Caixa, mas esses recursos ficariam desenquadrados da exigibilidade de que 65% dos depósitos em carteira sejam destinados para o crédito imobiliário.

Hereda diz não ser a favor do fim da exigibilidade, mas afirma que teria de ser encontrada uma solução para que os recursos securitizados continuassem enquadrados no cumprimento da exigibilidade em determinadas condições. Durante o 8º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção, o representante da Caixa defendeu que os diversos elos envolvidos com a cadeia da construção civil “abracem” o Plano Nacional da Habitação (Planahb) em 2010 e que a discussão seja levada ao Congresso Nacional. A proposta do Planahab é equacionar o déficit habitacional brasileiro em 15 anos. Em relação ao financiamento necessário para que o déficit seja equacionado, Hereda afirmou que a “Caixa não pode ficar com essa tarefa sozinha”.

No evento, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe, afirmou que a aprovação da PEC 285 – que prevê vinculação de 2% do orçamento da União e 1% dos estados e municípios para combater o déficit habitacional – é uma das formas para que o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” se torne “uma política pública para perenizar o combate ao déficit habitacional e atender a demanda futura”.

Já o secretário de Habitação do Estado de São Paulo, Lair Krähenbühl, disse que o programa “Minha Casa, Minha Vida” não está atingindo “quem mais precisa de financiamento, ou seja, famílias com renda de até três salários mínimos”. “Em São Paulo, os terrenos são caros e há questões de infraestrutura”, afirmou. Segundo ele, a Região Metropolitana de São Paulo concentra 54% do déficit habitacional do estado. Se considerado o déficit por inadequação de moradias, o porcentual chega a 66%. Krähenbühl disse ainda que é preciso diferenciar renda das famílias de capacidade de pagamento.

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