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Suprindo a demanda

Fonte: Folha de São Paulo

A contratação de mais de 54 mil trabalhadores pela construção brasileira em janeiro, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego, foi um recorde para aquele mês. Houve reposição da totalidade das 50 mil demissões ocorridas no setor em dezembro, quando sazonalmente o emprego declina.

O dado confirma o aquecimento da atividade econômica e reforça a necessidade de aumento do número de cursos de capacitação nas diversas habilitações profissionais da construção, para atender à demanda crescente por mão de obra qualificada.

Em parcerias com o SindusCon-SP, a Prefeitura de São Paulo articula cursos e o Senai-SP monta um programa de formação de mão de obra para a construção. A intenção é passar dos 38 mil trabalhadores qualificados em 2008 e 2009 para mais de 60 mil em 2010.

Entretanto, de nada adianta a construção investir no Senai se boa parte dos trabalhadores, depois de formada, vai para a autoconstrução ou a informalidade, como tem acontecido nos últimos anos.

Por isso, neste ano haverá uma inovação. No fim de março, os cursos também serão dados dentro de canteiros de obras das construtoras, dirigidos aos trabalhadores ou trainees por elas designados.

Estes cursos vão formar pedreiros assentadores, carpinteiros de fôrmas, armadores de ferro e pintores de obras. Terão 160 horas de duração. O Senai-SP oferecerá os professores e as apostilas, e as construtoras providenciarão espaço nas obras e o material necessário junto aos fornecedores de insumos.

Uma ação destas, bem sucedida, vem sendo executada entre o Senai-SP e uma construtora em São José dos Campos, formando no canteiro 30 pedreiros revestidores, dos quais três são mulheres.

Aliás, o interesse da construção na contratação de mulheres levou à consolidação de outra parceria, esta em São Bernardo do Campo. Lá, a ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres, Nilcea Freire, e o prefeito Luiz Marinho lançaram o programa Mulheres Construindo Autonomia, com o apoio do SindusCon-SP.

O projeto visa à formação de 240 mulheres em situação de vulnerabilidade social para trabalharem como pedreiras. O governo federal entrará com recursos e a prefeitura buscará apoio de organizações da sociedade civil para formar as primeiras turmas.

A contratação de mulheres para os canteiros já é uma tendência na construção brasileira, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos e na Europa. No Núcleo da Construção Civil do Senai-SP em Bauru, as mulheres representaram 12% dos formandos do curso técnico concluído no ano passado, e a procura para as próximas turmas segue a mesma tendência. Duas estudantes de lá conquistaram medalhas de ouro e prata na categoria Aplicação de Revestimento Cerâmico da Olimpíada do Conhecimento 2009.

Outro exemplo aconteceu em Mogi das Cruzes, onde uma mulher figurou entre os 22 formandos do curso de mestre de obras, realizado por SindusCon-SP e Senai-SP.

Mas ainda resta um desafio: aumentar o número de engenheiros civis formados por ano e a qualidade dos cursos superiores de engenharia. Isto demanda ações urgentes da União, dos Estados e das faculdades privadas, em parceria com a construção.

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