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Eternit fecha a compra da Monier Tégula

Fonte: Jornal do Commercio

A Eternit comemorou ontem 70 anos de atuação no Brasil com o anúncio da aquisição da Monier Tégula Soluções para Telhados, uma das maiores fabricantes de telhas de concreto do País, o que elevou o faturamento bruto do grupo para R$ 800 milhões e o aproximou de sua meta, traçada em 2007, de elevar este valor para R$ 1 bilhão até 2011. A transação, que será concretizada no início de fevereiro, custou R$ 40 milhões.

A Monier Tégula possui hoje 30% do mercado de telhas de concreto. Com a incorporação, a Eternit soma agora dez fábricas, uma mineradora e 2,5 mil empregados. A Eternit é uma das líderes no País na fabricação de telhas de fribrocimento e de caixas d”água. Nos nove primeiros meses do ano passado, a receita bruta da empresa foi de R$ 545 milhões.

Como informou o presidente do Grupo Eternit, Élio Martins, a aquisição integra o projeto da companhia de tornar a empresa uma das maiores do Brasil em diversos segmentos da indústria da construção civil. “O país tem a cultura de possuir gigantes, mas em setores isolados como é o caso do aço e do PVC, por exemplo. Nossa proposta, porém, é mais ampla. Queremos a supremacia em vários segmentos da construção civil, da telha e caixa d”água às louças e cerâmicas sanitárias”, afirmou Martins.

Segundo ele, ao longo desse ano novas aquisições de empresas de pequeno e médio porte poderão ser feitas, bem como a ampliação das atuais linhas de produção. “Temos ainda R$ 70 milhões em caixa para este propósito além de nossa geração de resultados”, frisou o executivo, salientando que empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de bancos privados também não estão descartados para esse fim.

De acordo com Martins, as cinco fábricas do Grupo localizadas nas cidades de Simões Filho (BA), Goiânia e Anápolis (GO), Rio de Janeiro (RJ) e Colombo (PR) trabalham à plena carga, mesmo após os investimentos feitos em 2008 e no ano passado, da ordem de R$ 45 milhões, para aumentar a capacidade produtiva da companhia. “Diante da expansão esperada para o País em 2010, precisamos fabricar mais, entretanto, a instalação de uma nova máquina leva de oito a 12 meses. Já com a aquisição de uma fábrica esse tempo cai bastante.” Além das fábricas, a Eternit conta com a Sama – Minerações Associadas, única mineradora de amianto crisotila do País e terceira maior do mundo, que fica em Minaçu (GO), que exporta 60% do insumo extraído. “Nossos estudos mostram que na Sama temos ainda amianto por mais 33 anos”, frisou o executivo.

As cinco fábricas da Monier Tégula estão em Anápolis (GO), Frederico Westphalen (RS), Salvador (BA), Atibaia (SP) e Içara (SC). “Essas unidades ainda não trabalham à plena carga como as da Eternit, mas a intenção é que elas também aumentem a fabricação de seus produtos ao longo deste ano”, afirmou o executivo.

Martins disse que a Eternit escolheu a sede da BM&FBovespa, em São Paulo, para comemorar suas sete décadas de Brasil porque está listada na Bolsa desde 1948. “Apesar de todo esse tempo, foi a partir de 2004 que intensificamos nossas operações na Bolsa, o que nos deu uma enorme visibilidade e nos possibilitou a expansão”, disse o presidente do Grupo. Segundo ele, no início eram 1,3 mil acionistas, número hoje que se aproxima de 7 mil. “Como nossa empresa é estável e os dividendos são interessantes, poucos acionistas querem abrir mão de suas ações. Temos apenas 15% de capital estrangeiro.” Segundo Martins, dentro das metas do Grupo está abrir espaço para a entrada de novos fundos do exterior nos próximos anos, o que deverá ocorrer em sintonia com o crescimento do Grupo Eternit no País.

De acordo com presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, a Eternit viveu todo o amadurecimento do mercado brasileiro de capitais, elevando-se ao nível 2 em 2005, para entrar no Novo Mercado no ano seguinte. “Quanto maior o rigor da empresa no cumprimento da governança corporativa, maior valor suas ações adquirem no mercado. Este é o caso da Eternit”, frisou o presidente da Bolsa.

Como mais da metade dos acionistas da Eternit residem fora do Estado de São Paulo, a empresa lançou ontem um blog por meio do qual os acionistas poderão participar das assembleias e dar seus votos pela internet, com segurança. Do total de ações da empresa, 58% pertencem a pessoas físicas, 36% a clubes, fundos e fundações, 4% a residentes no exterior e 2% a pessoas jurídicas. As ações disponíveis no mercado (free-float) chegam a 83%.

Amianto. O presidente do Grupo Eternit fez questão de destacar que a empresa utiliza como matéria-prima somente o amianto crisotila, ou amianto branco, elemento que quando inalado permanece cerca de dois dias e meio no interior dos pulmões, sendo expelido em seguida. Ao passo que o amianto anfibólio, quando inalado fica por cerca de um ano e meio nos pulmões e possui ferro em sua constituição, podendo gerar o câncer.

“Não temos nenhum caso de usuários de produtos feitos com amianto crisotila que desenvolveram a doença, além do que, o problema em trabalhadores ficou no passado”, disse Martins, acentuando que a companhia investe anualmente cerca de R$ 20 milhões em manutenção e saúde ocupacional. Segundo ele, a propaganda negativa contra os produtos feitos com amianto branco tem viés comercial. “O mercado de cobertura cresce em média 8% ao ano. Imagine se não tivéssemos as telhas de fibrocimento, que atendem à população de baixa renda ?”

De acordo com Martins, a empresa se preocupa inclusive em fornecer produtos diferenciados para as classes menos abastadas, como a linha Eterville, cujas telhas são coloridas e lembram um conjunto de telhas cerâmicas. A empresa também apresentará na 18ª Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon), em abril, em São Paulo, uma linha de filtros para tubulações de água além de novas linhas de louças sanitárias. Com a aquisição da Monier Tégula, a Eternit passa a oferecer produtos para as classes A, B, C e D.

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