Custos na construção civil tendem a subir
Fonte: Valor Econômico
Depois de um ano de pressões leves, a aceleração nos custos de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra na construção civil verificada neste mês indica um cenário diferente para 2010. O Índice Nacional de Custo de Construção-médio (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), de janeiro alcançou 0,52% – 0,32 pontos percentuais acima do registrado em dezembro.
O INCC-M de janeiro foi computado entre 21 de dezembro e 20 de janeiro, a partir de dados coletados em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Brasília e Porto Alegre). Assim, reajustes salariais fechados no fim do ano e elevações de tarifas públicas, como transporte coletivo, que impactam a folha de pagamento, acabam por “contaminar” o índice.
Segundo Ana Maria Castelo, economista formada na Universidade Federal do Ceará (UFCE) e coordenadora de estudos de Construção Civil da FGV, a alta de custos verificada neste mês foi puxada por situações pontuais. O reajuste salarial de 7,5% conquistado em dezembro pelos trabalhadores de Belo Horizonte (que representa cerca de 11% do item mão de obra no INCC) e a alta na tarifa de ônibus em São Paulo e Salvador serviram para pressionar o índice no período.
No entanto, avisa a economista, “servem para indicar qual será a tônica de 2010 para o setor de construção”. Quer dizer, “a deflação nos preços de materiais e equipamentos verificada no ano passado, não se repetirá”. Ao mesmo tempo, a aceleração nos custos dos materiais se somará à alta na mão de obra, que já vinha pressionando o INCC no ano passado.
Em 2009, os custos de mão de obra ficaram 8% mais altos que em 2008. As três categorias de trabalhadores – auxiliar, técnico e especializado – registraram elevações semelhantes, próximas a 8%, tendo auxiliar à frente. Neste mês, o padrão se repetiu, desarticulando a pequena alteração registrada em dezembro. A função de auxiliar, que havia variado apenas 0,01% no mês passado, acelerou para 0,65% neste mês, pouco acima da função de técnico (0,58%) e de especializado (0,49%).
“Ao deprimir a demanda das famílias, a crise afetou mais as fábricas de materiais e equipamentos. Além disso, os estoques eram altos”, afirma Ana Maria. Por outro lado, diz ela, a demanda das construtoras não caiu, o que manteve o emprego no setor aquecido. “Consequentemente, isso ampliou os custos da mão de obra”, afirma.
Neste ano, a economista avalia que o cenário “positivo” de 2009 não se repetirá. As commodities metálicas, componentes importantes na formação de preços de materiais de construção, oscilaram em patamares baixos no ano passado. Ao mesmo tempo, para contrabalançar os efeitos da turbulência mundial, o governo concedeu isenção de impostos, que contribuíram para a queda de preços dos bens finais. “A isenção fiscal deve ser restituída neste ano, enquanto as commodities recuperam preços, depois do mergulho pós-crise”, afirma.
A economista, no entanto, não vê pressões inflacionárias no curto prazo. “Há espaço para as fábricas retomarem a produção sem gerar descompasso entre demanda e oferta”, diz. Para Ana Maria, a questão “mais delicada” está na mão de obra especializada, que pode ser um fator de pressão no médio prazo.
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